Em evento da Fundação Dom Cabral voltado para empresas de médio porte, especialistas acreditam que o excesso de controle em momentos de crise pode ser prejudicial para os resultados
Em um cenário marcado por incertezas e mudanças constantes, a capacidade de tomar boas decisões se torna um dos principais diferenciais para a sobrevivência e o crescimento das médias empresas. Essa foi uma das mensagens destacadas por Antonio Batista da Silva Junior, presidente executivo da Fundação Dom Cabral (FDC), na abertura do 11º Fórum Anual das Médias Empresas, que teve início nesta terça-feira (1º), no UM Rooftop, em São Paulo. Concebido pela FDC e organizado pela Francal, o evento reúne empresários e lideranças para discutir os desafios e as oportunidades que impactam o segmento.
Segundo Batista, momentos de instabilidade também podem abrir espaço para novas oportunidades, desde que as empresas estejam preparadas para agir. “Historicamente, as companhias que permanecem são aquelas que aprendem a decidir bem nos momentos de incerteza. E o conhecimento permite decidir melhor”, afirma.
A trajetória da própria FDC reflete essa proposta, já que, desde 1998, a instituição promove eventos com o objetivo de oferecer conhecimento, informação e contexto para apoiar as decisões das médias empresas. Ao longo desse período, mais de 5 mil empresas já passaram pela plataforma de apoio da Fundação, que completa 50 anos de atividades em 2026.
Na primeira mesa do dia, com o tema O desafio de decidir no caos: adaptabilidade e improvisação como caminhos possíveis, os curadores do evento, Adriano Amui e Diego Marconatto, ao lado do professor Erick Krulikowski, introduziram o tema central do evento a partir de uma analogia com a música. “Excesso de análise paralisa. Excesso de instinto te coloca no escuro. Precisamos de uma equação para resolver isso, transformando informações em música”, afirma Amui.
Para Marconatto, o planejamento estratégico não deve ser encarado como um roteiro fixo, especialmente diante de cenários de maior incerteza. “Quando aumenta o grau de incerteza, a reação comum é aumentar o controle. Mas, quando é excessivo, impacta negativamente nos resultados”, diz. Segundo ele, compartilhar decisões e dar mais agilidade à tomada de decisão são fundamentais para que as empresas consigam responder às mudanças do cenário.

Na palestra Decisões em Movimento: o futuro da mobilidade empresarial, Lucas Xavier, gerente de Segmento Corporativo na Localiza, e Rodrigo Ferreira, Digital Solution Advisory Manager da SAP, discutiram como a transformação digital vem transformando a mobilidade corporativa. A partir de cases e experiências de mercado, Xavier destacou a importância de compreender o contexto e as necessidades de cada cliente para desenvolver soluções mais eficientes, mostrando que diferentes perfis e rotinas demandam jornadas personalizadas. “A jornada digital, a personalização dos serviços e o uso inteligente de dados tornam-se ferramentas importantes para reduzir atritos e aprimorar a experiência do cliente”, afirma.
Na sequência, Xavier compartilhou recomendações para empresas que buscam transformar seus negócios, como identificar as dores dos clientes antes de construir soluções, testar iniciativas em pequena escala, desenvolver competências antes de expandir e associar dados ao contexto para apoiar decisões mais assertivas.
Dando continuidade à discussão sobre tecnologia e estratégia, Ferreira abordou o conceito de empresas mais autônomas e apresentou a Joule, agente de inteligência artificial da SAP capaz de integrar dados, fluxos de trabalho e diferentes sistemas, com destaque para o potencial da tecnologia em apoiar processos e decisões corporativas. O encontro reforçou, assim, como mobilidade, dados e inteligência artificial podem atuar de forma integrada na construção de operações mais ágeis, personalizadas e eficientes.
Sobre a Fundação Dom Cabral
A Fundação Dom Cabral (FDC) celebra 50 anos reafirmando seu compromisso com a construção de futuros positivos. Reconhecida como uma das dez melhores do mundo nos rankings de Educação Executiva do Financial Times 2026 – e a melhor da América Latina, a FDC integra educação executiva, acadêmica e social. A formação acadêmica vai da graduação até o pós-doutorado, e a executiva traz programas de curta e média duração, organizações públicas, privadas e do terceiro setor. Na educação social, atua na inclusão produtiva e desenvolvimento social, apoiando jovens em situação de vulnerabilidade, empreendedores populares e organizações da sociedade civil, além de manter um robusto programa de bolsas.
A FDC atua para desenvolver pessoas capazes de transformar o presente e gerar resultados consistentes a longo prazo. Em 2025, mais de 37 mil participantes foram capacitados pela instituição. Sua abordagem educacional une rigor científico e aplicabilidade, inteligência e afetividade, desempenho e progresso social, com atuação do topo à base da pirâmide. Como um ecossistema robusto, a instituição também democratiza o conhecimento por meio do portal Seja Relevante (www.sejarelevante.fdc.org.br), que amplia a capilaridade do conhecimento ao democratizar reflexões e práticas sobre gestão, negócios, impacto social e carreira.
Sobre Francal
A Francal foi fundada em 1969, na cidade de Franca, no interior de São Paulo. Atualmente, conta com um portfólio de 15 eventos e, há mais de 50 anos, contribui para o fomento do desenvolvimento econômico e social do país. Maior promotora de eventos 100% brasileira, a Francal atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Reúne negócios, conhecimento, soluções e serviços para o B2B, sempre em sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.
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